Por que a Potência Disponibilizada limita o tamanho da sua usina
Existe um teto para a geração que a concessionária aceita no seu padrão de entrada, e ele não depende de quanto telhado você tem. Colocar mais placa não resolve.
Um cliente com telhado grande e conta alta pede uma usina de 15 kW. O telhado comporta, o orçamento fecha, o kit chega. A solicitação de acesso volta reprovada.
O motivo quase nunca é o telhado. É um número que já existia antes de o projeto começar: a Potência Disponibilizada do padrão de entrada.
O que é a Potência Disponibilizada
É o teto de potência que a distribuidora considera disponível na sua unidade consumidora, calculado a partir de dois dados que estão no seu padrão de entrada: a tensão de fornecimento e o disjuntor de entrada.
Para Goiás, em uma ligação trifásica de 380 V, a conta é esta:
tensão × disjuntor × √3 × 0,92 ÷ 1000, arredondado para baixo. Com disjuntor de entrada de 40 A: 24 kW.
Vinte e quatro quilowatts. Esse é o teto. Em ligação monofásica não entra o √3, e o número cai muito: 220 V com disjuntor de 40 A dá 8 kW.
A fórmula não é prática de fornecedor, é regra: está na NT.00020.EQTL-06 da Equatorial e no item 5.3 do Anexo III, o modelo de memorial descritivo que a própria distribuidora publica.
Por que mais placa não resolve
Porque o limite não é de geração, é de conexão. A potência que entra e sai pelo seu padrão passa pelo mesmo disjuntor e pelos mesmos condutores, e a distribuidora dimensiona a rede do bairro contando com esse limite declarado.
Então existem exatamente dois caminhos quando a usina não cabe:
- Adequar o padrão de entrada — trocar disjuntor, cabo, caixa de medição e, dependendo do porte, o ramal. Isso é obra, tem projeto e tem custo.
- Reduzir a usina para caber no teto atual.
Não existe terceiro caminho. E é por isso que a pergunta “qual o seu disjuntor de entrada?” aparece tão cedo numa conversa técnica: ela decide o projeto inteiro antes de qualquer visita.
O que fazer, na prática
1. Olhe o seu padrão antes de pedir orçamento. O disjuntor de entrada é aquele dentro da caixa de medição, junto ao relógio. O número está estampado nele: 40, 50, 63, 70. A tensão está na sua conta de luz.
2. Faça a conta. Multiplique tensão × disjuntor × 1,73 (só se for trifásico) × 0,92 e divida por 1000. O resultado, arredondado para baixo, é o seu teto em kW. O dimensionador solar deste site faz isso para você e já avisa quando a usina simulada passa do limite.
3. Se não couber, decida com número na mão. Adequar o padrão pode valer a pena quando a conta é alta e o telhado permite crescer depois. Quando não vale, uma usina menor e aprovada é melhor que uma usina grande parada na análise.
O que não dá é descobrir isso depois do kit comprado.
Alguma dúvida sobre o seu caso? O número do seu disjuntor de entrada e a sua tensão já respondem metade dela.
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