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Norma e homologação · 03 de setembro de 2026

Não é a placa que aprova a sua usina

São cinco documentos, e você nunca vê nenhum. ART, procuração, formulário de acesso, memorial descritivo e diagrama unifilar — o que cada um é, e por que a usina fica pronta no telhado sem poder ligar quando um deles falha.

Matheus de Moura GomesEngenheiro Eletricista · CREA 1021563641D-GO

Você comprou energia solar. As placas chegaram, subiram no telhado, o inversor está na parede — e o sistema continua desligado. Não é atraso do instalador. Faltou papel.

Ligar uma usina na rede não é apertar um botão: é um pedido formal que alguém faz à distribuidora em seu nome. Na Equatorial, esse pedido chama solicitação de acesso, e ele só anda com cinco documentos junto.

Os cinco

1. A ART. O registro no CREA que diz qual engenheiro assina o seu projeto e responde por ele. Sem ART não existe responsável técnico — e sem responsável técnico o pedido nem entra. Escrevemos sobre como conferir uma.

2. A procuração. O titular da conta de energia é você; quem fala com a distribuidora no processo é a empresa. A procuração é o que autoriza isso. Ela vai no nome de quem está na fatura — e se a fatura está no nome de outra pessoa, é essa pessoa que assina.

3. O formulário de solicitação de acesso. Na Equatorial ele chama Anexo I: uma planilha oficial, publicada pela própria distribuidora, com os dados da unidade, do padrão de entrada, dos módulos, do inversor e das proteções. É nela que a distribuidora calcula o teto de potência do seu padrão — e é daqui que sai a reprovação quando a usina não cabe.

4. O memorial descritivo. Na Equatorial, Anexo III. Descreve a instalação inteira por escrito: o padrão de entrada, a caixa de medição, os condutores, o disjuntor de proteção, o aterramento, os equipamentos e a potência de geração. Segue um roteiro que a distribuidora publica, com as seções na ordem que ela espera.

5. O diagrama unifilar. O desenho de como tudo se liga: do módulo ao inversor, do inversor ao quadro, do quadro ao medidor, com cada proteção no lugar. É a parte do projeto que um eletricista lê num olhar — e que a distribuidora confere linha a linha contra o memorial.

Vão junto alguns anexos menores — documento do titular, fatura, certificado do inversor, lista de materiais. Mas são esses cinco que decidem.

Por que os cinco andam juntos

Porque eles descrevem a mesma usina, e a distribuidora confere um contra o outro. A potência do inversor no Anexo I tem que ser a do memorial, que tem que ser a do unifilar. O disjuntor de entrada declarado tem que ser o que está na caixa. O titular da procuração tem que ser o da fatura.

Se um estiver errado, o processo volta com pendência — e a nova análise recomeça, não continua de onde parou. É por isso que dá para o telhado estar pronto e a usina não ligar: o equipamento chegou, o papel voltou.

Repare no que não está na lista

Nenhum dos cinco é a placa. Nenhum é o inversor. O equipamento é a parte fácil — qualquer distribuidor vende, e o mesmo kit aparece em três propostas diferentes. O que aprova a usina é a engenharia em cima dele: quem assina, quem descreve, quem desenha, e se as três coisas batem.

O que fazer, na prática

1. Pergunte quem assina a ART e quem escreve o memorial. São as duas respostas que separam projeto de kit.

2. Peça para ver o unifilar antes da instalação. Se ele não existe antes de o kit subir no telhado, a ordem está invertida.

3. Confira o titular. Se a conta está no nome de outra pessoa, a procuração é dela — e qualquer débito no CPF dela trava o pedido.

4. Guarde os cinco. Eles são o registro do que existe no seu telhado. Vão servir na manutenção, na venda do imóvel e em qualquer ampliação.


Você já sabe o nome dos cinco. É mais do que a maioria das propostas espera que você saiba.

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