Sua conta de luz tem três números que decidem o projeto
E nenhum deles é o valor total. Consumo em kWh, tensão de fornecimento e titular respondem quase tudo antes da visita — e o quarto número não está na conta.
“Manda a sua conta de luz” é a primeira coisa que qualquer empresa de energia solar pede. E o que costuma chegar é uma foto do valor total.
O valor total é o número menos útil da fatura. Ele muda com bandeira tarifária, com imposto, com reajuste anual — e não diz nada sobre o tamanho da usina que cabe na sua casa. Os que decidem o projeto são outros três.
1. O consumo em kWh
É o que dimensiona a usina. A fatura traz o consumo do mês e o histórico dos últimos meses; é esse histórico que importa, não o mês da foto.
Pegue doze meses, não um. Julho e dezembro contam histórias diferentes em Goiás: o ar-condicionado de outubro e novembro puxa a média para cima de um jeito que a conta de junho não mostra — e é a média do ano, com o pico dentro, que deve entrar no dimensionamento. Escrevemos sobre isso no artigo do El Niño.
2. A tensão de fornecimento
Monofásico, bifásico ou trifásico — está impresso na fatura, no bloco de dados da unidade consumidora. É metade da conta do seu limite de geração: a Potência Disponibilizada do padrão de entrada depende da tensão e do disjuntor, e o resultado muda muito de uma ligação para outra.
Monofásico 220 V com disjuntor de 40 A: 8 kW de teto. Trifásico 380 V com o mesmo disjuntor de 40 A: 24 kW.
O mesmo disjuntor, três vezes mais teto. O artigo sobre Potência Disponibilizada explica a fórmula.
A tensão define também o mínimo que você continua pagando com a usina ligada — o custo de disponibilidade: 30 kWh por mês no monofásico, 50 no bifásico, 100 no trifásico. Não existe conta zero.
3. A classe e o titular
Residencial, comercial ou rural muda a tarifa e a tributação, e por isso muda o quanto cada kWh gerado vale para você.
E o titular decide de quem será o CPF consultado na homologação. A solicitação de acesso vai em nome de quem está na conta — se o imóvel está no nome do cônjuge, do espólio ou de um parente, é o documento dele que a distribuidora vai olhar, e é a procuração dele que o processo vai pedir. Débito em qualquer conta nesse CPF trava o pedido.
O número que não está na conta
O disjuntor de entrada. Ele fica dentro da caixa de medição, ao lado do relógio, com o valor estampado: 40, 50, 63, 70. Uma foto resolve.
Com tensão e disjuntor na mão, o teto da usina sai antes de qualquer visita. O dimensionador solar deste site faz a conta e avisa quando a usina simulada passa do limite do seu padrão.
O que fazer, na prática
1. Baixe as doze últimas faturas no aplicativo ou no site da distribuidora. Uma foto da última serve para começar; doze servem para dimensionar.
2. Ache os três números: consumo em kWh, tipo de fornecimento, nome do titular. Estão todos na primeira página.
3. Tire uma foto do disjuntor de entrada. É o único dado que a fatura não tem.
4. Só então fale de valor. Quem dimensiona pelo valor em reais está dimensionando pela bandeira tarifária do mês — e a bandeira muda.
Mande a fatura dos últimos doze meses. Ela responde quase tudo.
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